Cinzas do Passado em Copacabana
Chapter 1 — Cinzas do Passado em Copacabana
O som das ondas quebrando em Copacabana nunca me pareceu tão cruel. Cada arrebentação era um lembrete da promessa que fiz, da vida que enterrei junto com o homem que eu amava. Ou que pensei que amava.
Dez anos. Dez anos se passaram desde que Rodrigo se foi, levado por um câncer implacável. Dez anos desde que jurei nunca mais me entregar a outro amor, me fechar para qualquer possibilidade de felicidade que não envolvesse a sua memória. Uma promessa idiota, eu sei. Mas naquela época, a dor era tão avassaladora que parecia a única forma de sobreviver.
Agora, estou aqui, Priscila Sampaio, aos 35 anos, dona de uma galeria de arte renomada, mas com o coração petrificado. A galeria, "Alma Carioca", ironicamente, pulsa com vida e cor, enquanto a minha definha em tons de cinza. Meus amigos insistem que preciso seguir em frente, que Rodrigo gostaria de me ver feliz. Mas como seguir em frente quando cada esquina, cada música, cada pôr do sol me traz de volta ao passado?
O casamento de Mariana, minha melhor amiga, é amanhã. Ela me pediu para ser madrinha, um pedido que aceitei com um nó na garganta. Ver Mariana radiante, prestes a construir uma família, reacende a chama da inveja que tento sufocar. Inveja não dela, claro, mas da possibilidade que me foi roubada.
Enquanto observo o mar, sinto um toque no meu ombro. Viro-me e meu coração dispara. Um homem alto, com olhos verdes penetrantes e um sorriso familiar, me encara. "Priscila? É você mesma?", ele pergunta, com uma voz rouca que ecoa em minha memória.
"Não pode ser...", sussurro, sentindo o sangue gelar nas minhas veias. "Rodrigo?"