O Primeiro Gole de Veneno
Chapter 1 — O Primeiro Gole de Veneno
O champanhe borbulhou, exatamente como a raiva que me consumia. Da varanda do Copacabana Palace, a vista do Rio de Janeiro se estendia, linda e cruel, um lembrete constante do que eu estava prestes a perder. Meu pai, um tubarão do mercado imobiliário, havia negociado minha vida em troca de um acordo lucrativo com os Miranda. E o pior? O noivo indesejado era Júlio Miranda, o homem que eu mais desprezava no mundo.
Respirei fundo, tentando controlar a fúria. A festa de noivado era um circo de horrores, repleta de sorrisos falsos e sussurros venenosos. Minha mãe, com seu vestido de grife e olhar preocupado, tentava me consolar, mas suas palavras eram apenas ruídos em meio ao caos. Eu, Viviane Moraes, a garota que sempre teve o controle da sua vida, estava presa em uma gaiola dourada, prestes a ser entregue a um predador.
Avistei Júlio do outro lado do salão. Ele conversava com um grupo de investidores, o sorriso charmoso no rosto. Cabelos escuros perfeitamente alinhados, terno sob medida que realçava seus ombros largos… um verdadeiro príncipe das trevas. Nossos olhares se cruzaram e um arrepio percorreu minha espinha. Não era um arrepio de desejo, mas de puro ódio. Nosso histórico era repleto de competições acirradas, provocações cruéis e uma rivalidade que parecia transcender o tempo.
Lembrei da primeira vez que o vi, ainda adolescentes, disputando uma vaga no time de vela do clube. Ele venceu, claro, com aquele sorriso arrogante que me dava nos nervos. Depois, na faculdade, a competição pelos melhores estágios, pelos projetos mais desafiadores… Júlio sempre estava um passo à frente, me desafiando, me provocando. E agora, ele estava prestes a me ter por completo.
Decidi que não me renderia sem lutar. Se meu pai achava que me entregaria de bandeja para Júlio, estava muito enganado. Eu tinha um plano, arriscado e audacioso, mas era a minha única chance de escapar desse inferno. Me aproximei dele, o champanhe ainda borbulhando em minha mão. Sorri, um sorriso que escondia a tempestade que se aproximava. "Júlio," sussurrei, "precisamos conversar. Em particular."
Ele arqueou uma sobrancelha, surpreso com a minha iniciativa. "Viviane," respondeu, com um tom cauteloso. "O que você tem em mente?"
"Tenho uma proposta para você. Uma proposta que pode nos livrar desse casamento arranjado… ou torná-lo muito, muito mais interessante." Despejei o resto do champanhe no meu copo e bebi num gole. "Mas, para isso, você precisa confiar em mim... e estar disposto a sujar as mãos."