Promessas Forjadas em Ouro

Chapter 1 — O Peso das Orquídeas Brancas

O cheiro doce e enjoativo das orquídeas brancas pairava no ar, quase me sufocando enquanto eu encarava meu reflexo no espelho. O vestido, uma cascata de seda pura cor de marfim, era lindo, sem dúvida. Mas ele representava a minha sentença, o fim da minha liberdade, a moeda de troca para salvar a vinícola da família.

Meu nome é Flora Ferreira, e em poucas horas, me tornarei a esposa de Rafael Viana, um homem que mal conheço. Um magnata do agronegócio, frio e implacável, pelo menos é o que dizem. Ele concordou em investir na nossa vinícola, a Villa das Acácias, em troca da minha mão. Uma transação comercial disfarçada de casamento.

Suspirei, tentando controlar a ansiedade que ameaçava me dominar. A Villa das Acácias era tudo para mim. Meu avô a construiu com as próprias mãos, e meu pai dedicou a vida inteira para produzir vinhos premiados. Ver tudo ir por água abaixo, por causa de dívidas acumuladas e uma safra desastrosa, era insuportável. Eu não podia permitir que isso acontecesse. Por eles, por mim, eu aceitaria esse sacrifício.

A porta do meu quarto se abriu, e minha mãe entrou, com um sorriso forçado nos lábios. Seus olhos, normalmente tão brilhantes, estavam marejados. Ela sabia o quanto eu estava sofrendo.

"Você está linda, minha filha," ela disse, a voz embargada. "Seu avô estaria tão orgulhoso."

"Obrigada, mãe," respondi, sentindo um nó na garganta. "Espero que ele entenda."

Ela se aproximou e segurou minhas mãos. "Ele entenderia, Flora. Ele sempre quis o melhor para nós. E ele sabia que você faria o que fosse preciso para proteger a Villa das Acácias."

Olhei para ela, buscando conforto em seu olhar. Mas o medo ainda me consumia. O que me esperava? Como seria viver ao lado de um homem que me via apenas como um ativo, uma peça em seu tabuleiro de xadrez?

A cerimônia seria na capela da Villa das Acácias, um lugar que sempre me trouxe paz e alegria. Mas hoje, parecia um palco para o meu próprio enterro. Os convidados começaram a chegar, vestidos em seus melhores trajes, exibindo sorrisos falsos e cumprimentos vazios. Eu me sentia como uma boneca, sendo manipulada por forças maiores.

Finalmente, a música começou a tocar. O sinal de que era hora. Meu pai entrou no quarto, seu rosto marcado pela preocupação. Ele me ofereceu o braço, e juntos, caminhamos em direção à capela.

Enquanto atravessávamos o jardim, vi Rafael parado no altar. Ele estava de costas, imponente em seu terno escuro. Não consegui ver seu rosto, mas senti um arrepio percorrer minha espinha. Ele era a minha salvação, mas também a minha prisão.

Quando chegamos ao altar, meu pai me entregou a Rafael. Nossos dedos se tocaram brevemente, e senti um choque elétrico percorrer meu corpo. Ele se virou, e nossos olhos se encontraram. Seus olhos eram de um azul gélido, intensos e penetrantes. Não havia calor ali, apenas uma frieza calculista.

O padre começou a cerimônia, e eu ouvia as palavras sem realmente prestar atenção. Meus pensamentos estavam em outro lugar, perdidos em um mar de incertezas e medos. Rafael apertou minha mão, e senti um anel de diamantes sendo colocado em meu dedo. O símbolo da minha nova vida, da minha nova prisão.

"Eu aceito," disse Rafael, sua voz firme e autoritária.

Chegou a minha vez. Olhei para ele, para o meu pai, para minha mãe, para todos os convidados. E então, vi algo que me fez hesitar. Uma mulher, no fundo da capela, vestida de preto, com um olhar furioso fixo em Rafael. Seus lábios se moveram, e ela sussurrou uma única palavra: "Não."

Quem era ela? E por que ela não queria que eu me casasse com Rafael?