Espinhos de Veludo

Chapter 1 — O Silêncio das Orquídeas Roxas

O cheiro doce e enjoativo das orquídeas roxas pairava no ar, misturando-se ao aroma metálico do sangue. Maitê encarava o corpo estendido no chão de mármore branco, o vestido de noiva imaculado agora manchado de vermelho. Seu pai, Antônio Viana, o homem mais poderoso de São Paulo, jazia ali, a vítima final de um jogo que ela mal começara a entender.

Dez anos. Dez anos planejando cada movimento, cada palavra, cada sorriso falso. Dez anos infiltrada na alta sociedade paulistana, tecendo uma teia de mentiras para se aproximar da família Toledo, os responsáveis pela ruína de sua família e pela morte de sua mãe. A máscara de menina rica e ingênua caía por terra naquele instante, revelando a frieza calculista que alimentava sua alma.

Ela se aproximou do corpo, ignorando o alarme que soava distante e os gritos histéricos de sua tia Marta. Agachou-se, retirando um lenço de renda do bolso e limpando cuidadosamente a faca cravejada de diamantes, a mesma que havia pertencido à sua mãe. A arma do crime, uma lembrança amarga de um passado que ela jamais esqueceria.

“Você pagou pelos seus pecados, pai,” sussurrou Maitê, a voz carregada de desprezo. “Mas a sua morte é apenas o começo. A vingança será completa quando eu destruir cada um dos Toledo, começando pelo herdeiro mimado, César.”

Naquele momento, um barulho de passos rápidos ecoou pelo salão. Maitê se levantou, girando nos calcanhares e encarando a figura que surgia na porta. Era ele. César Toledo, o homem que ela havia jurado destruir, parado ali, estático, os olhos fixos no corpo de Antônio Viana e, em seguida, nela, a faca ensanguentada ainda em suas mãos. No rosto dele, não havia choque, nem pavor. Apenas… reconhecimento. Um sorriso lento e enigmático curvou seus lábios. “Finalmente, Maitê,” ele disse, a voz baixa e rouca. “Eu estava esperando por você.”