Laços de Aço em Corações de Seda

Chapter 1 — Laços de Aço em Corações de Seda

O barulho ensurdecedor do tiro ecoou pela boate, silenciando momentaneamente a música alta e as risadas. Instintivamente, me joguei no chão, protegendo a cabeça com as mãos, o cheiro de pólvora invadindo minhas narinas. Em meio ao caos, só conseguia pensar em uma coisa: como minha vida tinha virado um filme de máfia em plena São Paulo?

Meu nome é Karen Moreira, mas no Morro da Promessa, me chamam de Bela. Cresci em meio à pobreza e à violência, mas sempre sonhei em escapar. A dança era minha válvula de escape, minha forma de expressar a alma presa em um corpo marcado pelas dificuldades. Trabalhava como dançarina na boate mais famosa da região, a 'Paraíso Proibido', um lugar que atraía desde os playboys da alta sociedade até os mafiosos mais perigosos da cidade.

Foi em uma dessas noites que o conheci: Marcos Vitale, um homem com a beleza de um anjo caído e o olhar frio de um predador. Ele era o Don da Famiglia Vitale, uma das maiores organizações criminosas do Brasil. Sua presença imponente dominava o ambiente, e o poder emanava dele como uma aura sombria. Nossos olhares se cruzaram, e senti um arrepio percorrer minha espinha. Era como se o destino estivesse traçado, nos unindo em um jogo perigoso de atração e repulsa.

Marcos começou a frequentar a boate todas as noites, sempre reservando uma mesa perto do palco. Seus olhos me seguiam em cada movimento, cada passo, cada sorriso. Eu sentia a intensidade de seu olhar queimando em minha pele, me deixando ao mesmo tempo excitada e apavorada. Sabia que ele me queria, e a ideia de me entregar a ele me assustava, mas também me excitava de uma forma que nunca havia sentido antes.

Uma semana depois do primeiro encontro, fui chamada ao escritório do dono da boate. Ele estava pálido, com as mãos trêmulas. “Bela, Marcos Vitale fez uma proposta irrecusável. Ele quer você. Quer que você vá morar com ele, que seja… dele.” Meu coração disparou. Sabia que não podia recusar. Recusar Marcos Vitale significava assinar minha sentença de morte. Mas aceitar… aceitar significava entregar minha vida, minha liberdade, minha alma, a um homem perigoso e implacável. E, de repente, como se lesse meus pensamentos, a porta se abriu e Marcos entrou, com um sorriso predador nos lábios. “Então, Bela? Qual será sua resposta?”