O Eco do Teu Silêncio

Chapter 1 — O Eco do Teu Silêncio

O buquê de orquídeas brancas esmagado contra o meu peito era a única coisa que me impedia de desabar ali mesmo, no saguão frio do aeroporto de Guarulhos. Cinco anos. Cinco anos desde que o eco do último “eu te amo” de Rafael ressoou em meus ouvidos, antes de embarcar para Londres e desaparecer da minha vida. E agora, aqui estava eu, Eliane Sampaio, de volta ao Brasil, encarando a possibilidade de vê-lo novamente.

Londres me transformou. A garota insegura e apaixonada que Rafael deixara para trás havia se tornado uma mulher independente, uma designer de interiores reconhecida. Mas, no fundo, a cicatriz do abandono ainda pulsava, latejando como uma ferida mal curada. A proposta de redecorar a nova sede da empresa de tecnologia, a SampaioTech, era irrecusável, um divisor de águas na minha carreira. O que eu não esperava era que Rafael fosse o CEO da SampaioTech.

Respirei fundo, tentando acalmar o turbilhão de emoções que me invadia. O cheiro familiar do ar de São Paulo, a agitação das pessoas ao meu redor, tudo me lembrava dele. De nós. Dos nossos planos, dos nossos sonhos desfeitos. Peguei meu celular e liguei para Mariana, minha melhor amiga e porto seguro desde sempre.

"Mari, cheguei. Mas… você não vai acreditar quem é o CEO da SampaioTech…"

"Quem, Rafa? Me conta tudo!" A voz de Mariana era puro entusiasmo, alheia à minha crise existencial.

"O Rafael. Ele é o CEO." As palavras saíram como um sussurro, carregadas de incredulidade.

O silêncio do outro lado da linha foi ensurdecedor. Mariana sabia o quanto Rafael significava para mim, o quanto sua partida me destruiu. Ela foi a única que me ajudou a juntar os pedaços e a seguir em frente.

"Meu Deus, Rafa! Isso é… complicado. Muito complicado. Mas pensa pelo lado bom, é a sua chance de mostrar para ele o que perdeu. De mostrar que você superou… ou não, né?" Mariana tentou amenizar a situação com seu humor característico, mas eu sabia que ela estava tão preocupada quanto eu.

"Eu não sei, Mari. Eu realmente não sei. Eu só queria fazer o meu trabalho e ir embora daqui o mais rápido possível. Mas agora…" Deixei a frase no ar, sem saber como completá-la.

"Rafa, você é forte. Você consegue. E eu estarei aqui para o que precisar. Agora, me conta, como foi o voo? Algum bofe interessante?" Mariana tentou mudar de assunto, e eu a agradeci mentalmente por isso. Precisava de um respiro, nem que fosse por alguns minutos.

Desliguei o telefone e caminhei até o carro que me esperava. O motorista, um senhor simpático chamado José, me cumprimentou com um sorriso acolhedor. Durante o trajeto até o hotel, tentei me concentrar na beleza da cidade, nas cores vibrantes, na energia pulsante de São Paulo. Mas a imagem do rosto de Rafael, do seu sorriso cativante, dos seus olhos verdes penetrantes, insistia em invadir meus pensamentos.

No dia seguinte, vesti meu melhor terninho e me preparei para o que seria, sem dúvida, o dia mais tenso da minha vida. Ao chegar à SampaioTech, fui recebida por uma recepcionista sorridente que me conduziu até a sala de reuniões. A empresa era moderna, elegante, com uma vista deslumbrante da cidade. Era evidente que Rafael havia prosperado. Engoli em seco e me sentei à mesa, aguardando sua chegada.

A porta se abriu e meu coração disparou. Rafael entrou na sala, mais alto, mais maduro, mais… irresistível. Seus olhos encontraram os meus e, por um instante, o tempo parou. Ele sorriu, um sorriso que eu conhecia tão bem, um sorriso que outrora me fizera sentir a mulher mais feliz do mundo. Mas, dessa vez, havia algo diferente em seu olhar. Algo… melancólico.

"Eliane. Que bom te ver." Sua voz era grave, rouca, carregada de emoção. "Seja bem-vinda à SampaioTech."

Mas antes que eu pudesse responder, uma mulher alta, loira e incrivelmente elegante entrou na sala e se agarrou ao braço de Rafael. "Amor, desculpa a demora. Estava resolvendo uns problemas urgentes." Ela me lançou um sorriso forçado e estendeu a mão. "Prazer, sou Carolina, noiva do Rafael."