O Aroma Proibido de Canela e Sangue

Chapter 1 — O Aroma Proibido de Canela e Sangue

O cheiro de canela e sangue pairava no ar, doce e metálico, um prenúncio do inferno que estava prestes a se abater sobre mim. Meus pés estavam presos na terra encharcada, incapazes de me mover enquanto a matilha de Blackwood se aproximava, seus olhos dourados brilhando famintos na escuridão da floresta.

Eu me chamo Luna, e minha vida sempre foi definida por uma única e terrível verdade: sou uma ômega rara, nascida sem a capacidade de me transformar, mas com um aroma que enlouquece alfas. Um aroma que a matilha de Blackwood deseja desesperadamente possuir.

Nascida e criada nos limites da pacífica matilha Silverstream, eu sempre vivi sob a proteção do nosso Alfa, Ethan. Ele era um lobo benevolente, mas mesmo seu poder não poderia impedir o inevitável. As terras de Silverstream estavam definhando, nossa população diminuindo, e os Blackwood, liderados pelo brutal Alfa Damon, viam nossa fraqueza como uma oportunidade.

A lei dos lobisomens é clara: uma ômega com meu dom incomum pertence ao alfa mais forte. Damon Blackwood tinha deixado suas intenções claras. Ele queria me reivindicar, não por amor ou respeito, mas como um troféu, uma arma para fortalecer sua já formidável matilha.

Na noite do meu décimo oitavo aniversário, a invasão começou. O uivo lancinante rasgou o silêncio da noite, um grito de guerra que ecoou por toda a floresta. Ethan lutou bravamente, mas os Blackwood eram muitos, e Damon, um lobo enorme e implacável, estava determinado a me ter.

Eu corri. Corri o mais rápido que minhas pernas humanas me permitiram, o cheiro de terra e pinho enchendo meus pulmões enquanto tentava escapar da matilha implacável. Mas eles eram lobos, nascidos para caçar, e eu, uma presa frágil e indefesa.

Finalmente, me encurralaram perto do rio Blackwood, a fronteira entre nossos territórios. O rio corria furioso, refletindo a luz da lua cheia, e a matilha de Blackwood me cercava, seus olhos fixos em mim com desejo predatório.

Damon se aproximou, sua forma lupina massiva e intimidadora. Seus olhos eram da cor do ouro fundido, e um sorriso cruel curvava seus lábios. "Luna", ele rosnou, sua voz um trovão gutural. "Você não tem para onde correr. Você é minha."

Eu tremia, o medo me paralisando. Sabia que resistir era inútil. Damon Blackwood era invencível, e meu destino estava selado.

"Eu nunca serei sua," eu sussurrei, a voz embargada pelo pânico. "Eu prefiro morrer."

Damon soltou uma gargalhada fria. "A morte seria um desperdício. Você tem um propósito a cumprir, minha querida. Você fortalecerá minha matilha, me dará herdeiros poderosos. E, com o tempo, você aprenderá a me amar."

Ele estendeu a mão, seus dedos grossos e calejados se fechando ao redor do meu braço. Eu fechei os olhos, esperando o toque repugnante, a possessão inevitável.

Mas então, um rugido cortou o ar, um som tão poderoso e primitivo que fez até mesmo Damon Blackwood hesitar. Um furacão de fúria surgiu da floresta, uma sombra negra e imponente que se lançou sobre a matilha de Blackwood.

Um lobo negro, maior e mais imponente que qualquer outro que eu já tivesse visto, atacou Damon com uma ferocidade implacável. Seus olhos eram como brasas ardentes, e seus dentes rasgavam a carne dos Blackwood como se fossem papel. A batalha era brutal, sangrenta, e incrivelmente rápida.

Em questão de segundos, o lobo negro estava em pé sobre o corpo derrotado de Damon, seu pelo encharcado de sangue. Ele levantou a cabeça e soltou um uivo triunfante que ecoou por toda a floresta.

Então, ele se virou para mim. Seus olhos encontraram os meus, e eu senti uma conexão inexplicável, um reconhecimento profundo que transcendeu a violência e o caos ao nosso redor. Ele se aproximou lentamente, sua presença dominadora me prendendo no lugar.

Quando ele estava a apenas alguns metros de distância, o lobo negro começou a se transformar. Seus ossos estalaram e se contorceram, sua pele se repuxou e se rasgou, e em seu lugar surgiu um homem. Um homem alto e musculoso, com o rosto marcado por cicatrizes e os olhos ainda brilhando com a intensidade de um lobo.

Ele era a personificação da força bruta e da beleza selvagem, e seu olhar me queimava como fogo. Eu podia sentir o poder emanando dele, o poder de um alfa. Mas havia algo mais em seus olhos, algo que eu não conseguia identificar. Algo que me assustava e me atraía ao mesmo tempo.

Ele se aproximou ainda mais, até que estivesse bem na minha frente. Ele se inclinou, seu rosto a centímetros do meu, e respirou fundo. Seus olhos se arregalaram, e uma expressão de choque e descrença tomou conta de seu rosto.

"Mate," ele sussurrou, sua voz rouca e urgente. "Você é minha companheira."