Olhos que Mentem

Chapter 1 — O Segredo Escrito em Seus Olhos

O buquê de orquídeas brancas tremia em minhas mãos, um presságio silencioso da tempestade que se aproximava. Não era a chuva que ameaçava o dia do meu casamento, mas o olhar de Ulisses, fixo em mim da porta da igreja, um misto de desejo e desespero que ecoava o segredo que nos consumia.

Eu, Nayara Sampaio, estava prestes a cometer um erro monumental. Um erro que mancharia para sempre o nome da minha família e me aprisionaria em uma gaiola dourada da qual talvez nunca escapasse. Mas, como uma mariposa atraída pela chama, eu seguia em frente, impulsionada por uma força que não conseguia controlar.

Samuel, meu noivo, sorria para mim no altar, alheio ao turbilhão que me dilacerava por dentro. Ele era o homem perfeito, o genro ideal, o futuro promissor que meus pais tanto almejavam para mim. Rico, bonito, bem-sucedido e completamente apaixonado. Exatamente o oposto do caos personificado que era Ulisses, seu próprio irmão.

Conheci Ulisses em uma festa de família, um raio em meio à monotonia da minha vida planejada. Seus olhos escuros, penetrantes, pareciam enxergar através da máscara de perfeição que eu tanto me esforçava para manter. E ele me desafiou, me provocou, me despertou para uma paixão avassaladora que eu jamais havia imaginado existir.

Nossos encontros se tornaram roubados, clandestinos, carregados de culpa e desejo. Beijos furtivos em cantos escuros, juras de amor sussurradas em meio à noite. Sabíamos que era errado, que estávamos brincando com fogo, mas a atração era irresistível, uma força magnética que nos impedia de nos afastarmos.

Agora, aqui estava eu, vestida de branco, caminhando em direção ao altar, pronta para selar um destino que não era meu. A cada passo, o olhar de Ulisses se intensificava, uma súplica silenciosa para que eu desistisse, para que eu fugisse com ele. Mas o peso da tradição, das expectativas, da minha própria covardia, me prendia ao chão.

Quando finalmente cheguei ao altar, Samuel segurou minha mão com ternura. Seus olhos azuis brilhavam de felicidade. Mas, ao levantar o véu, um grito abafado ecoou pela igreja. Não era um grito de alegria, mas de horror. Na primeira fila, minha mãe desmaiou, apontando freneticamente para algo atrás de mim. Ao me virar, deparei-me com Ulisses, o rosto crispado de dor, segurando uma arma.