Traição Perfeita na Festa de Lançamento

Chapter 1 — O Preço da Traição Perfeita

O champanhe borbulhava, amargo, na minha garganta, um eco do fel que me corroía por dentro. Maitê Mascarenhas, 28 anos, herdeira de um império da moda, e acabava de flagrar meu noivo, o insuportavelmente charmoso e ambicioso Paulo, aos beijos com minha melhor amiga, Mônica, no banheiro da cobertura que seria NOSSA.

Eu deveria ter previsto. Deveria ter visto os sinais. Mas a cegueira do amor, ou talvez, a cegueira da conveniência, me impediu. Paulo era o partido perfeito: bonito, influente, com uma ambição que rivalizava com a minha. Mônica, por sua vez, era a amiga leal, confidente, sempre presente… ou pelo menos, era o que eu pensava. A ironia era que havíamos acabado de celebrar o sucesso estrondoso da nova coleção Mascarenhas, a qual Paulo havia trabalhado arduamente para garantir o financiamento.

Empurrei a porta do banheiro com força, o estrondo abafado pela música alta da festa. Eles se separaram num susto, os rostos tingidos de culpa e, em Paulo, uma pitada de desafio. Mônica choramingou um pedido de desculpas, a voz embargada, mas eu não conseguia prestar atenção. Meus olhos estavam fixos em Paulo, na frieza calculista que emanava dele.

"Maitê… não é o que você está pensando," ele começou, a voz suave e controlada, como se estivesse acalmando um animal selvagem. Mas eu não era um animal. Eu era Maitê Mascarenhas, e ele acabara de cometer o maior erro da vida dele.

"Não é?" Respondi, a voz gélida. "Então me explique, Paulo, o que exatamente eu estou vendo? Uma aula de primeiros socorros labiais?"

Ele tentou se aproximar, mas eu me afastei. "Podemos conversar sobre isso em particular…"

"Não," eu disse, com uma calma que me surpreendeu. "Vamos conversar aqui mesmo, na frente de todos os nossos amigos e familiares. Afinal, eles merecem saber com quem estão lidando, não é?"

Saí do banheiro, decidida a transformar a celebração em um espetáculo. Atravessei o salão, ignorando os olhares curiosos, até chegar ao palco improvisado onde a banda tocava. Peguei o microfone da mão do vocalista, que me olhou confuso.

"Boa noite a todos!" Anunciei, a voz amplificada ecoando pelo espaço. O burburinho diminuiu, e todos os olhos se voltaram para mim. "Gostaria de fazer um anúncio importante. Um brinde ao amor… e à traição!" Um silêncio constrangedor se abateu sobre a festa. Podia sentir o olhar de Paulo queimando em minhas costas.

Continuei, com a voz carregada de veneno: "Gostaria de agradecer ao meu… ex-noivo, Paulo, e à minha… ex-melhor amiga, Mônica, por me mostrarem a verdadeira face da ambição e da deslealdade. Vocês me ensinaram uma lição valiosa: nunca confie em ninguém, especialmente naqueles que estão mais próximos de você." Uma salva de palmas tímidas ecoou pelo salão, seguida por um murmúrio crescente.

Paulo finalmente chegou ao meu lado, o rosto vermelho de fúria. "Maitê, pare com isso! Você está se humilhando!"

"Humilhando?" Ri, amarga. "Eu estou apenas revelando a verdade, Paulo. E a verdade é que você é um traidor, e ela é uma víbora. E eu… eu sou a idiota que acreditou em vocês." Joguei o microfone no chão, quebrando o silêncio com um estrondo. Em seguida, caminhei em direção à saída, deixando para trás uma cena de caos e incredulidade. Mas antes de sair, me virei para Paulo, com um sorriso frio.

"Ah, e mais uma coisa, Paulo," eu disse, a voz baixa e ameaçadora. "Você pode ter financiado a coleção, mas eu controlo a Mascarenhas. E você… você está demitido." Saí da cobertura, deixando Paulo plantado no meio do salão, com a reputação e a carreira em ruínas. Mas a vingança não era suficiente. Eu queria mais. Eu precisava destruí-lo completamente. E eu sabia exatamente como fazer isso. A primeira etapa? Reconquistar a confiança do mercado, mostrando que a Mascarenhas era forte e independente, mesmo sem Paulo. E para isso, eu precisaria de um novo aliado. Um aliado improvável. Um aliado que o odiasse tanto quanto eu.

Peguei meu celular e disquei um número que não ligava há anos. A voz do outro lado da linha soou surpresa e hesitante.

"Felipe? Sou eu, Maitê. Precisamos conversar."