Mapa do Amor Invertido

Chapter 1 — O Primeiro Erro no Mapa do Amor

O champanhe borbulhou, transbordando da taça e manchando o vestido de seda cor de pêssego. Vanessa praguejou baixinho, mas seus olhos azuis faiscaram com uma raiva muito maior do que a que a pequena mancha justificava. A culpa, é claro, era dele.

César Monteiro. O nome soava como uma maldição em seus lábios. Herdeiro da maior construtora do Rio de Janeiro, ele era arrogante, implacável e, para o azar de Vanessa, seu principal concorrente. E agora, ali, naquele baile de gala beneficente, ele ousava sorrir para ela, um sorriso que prometia mais guerra do que paz.

"Vejo que a noite começou bem para você, Vanessa," ele disse, a voz aveludada carregada de ironia. Seus olhos negros percorreram o estrago no vestido dela com um brilho divertido. "Champanhe combina com você. Traz um certo... brilho."

Vanessa respirou fundo, tentando controlar a vontade de jogar a taça inteira na cara dele. “Prefiro meu vestido limpo, obrigada. E talvez, se você não estivesse no meu caminho, isso não teria acontecido.”

"No seu caminho?" César ergueu uma sobrancelha, fingindo surpresa. "Acho que você é quem está no meu caminho, Vanessa. Este baile é meu território. Meu pai é um dos maiores benfeitores desta instituição."

"E eu sou filha da maior patrocinadora," Vanessa rebateu, cruzando os braços. “Então, tecnicamente, estamos quites. Mas isso não muda o fato de que você está sendo insuportável como sempre.”

Desde que seus pais haviam anunciado a fusão de suas empresas – uma ideia que Vanessa e César detestavam igualmente – eles haviam se tornado rivais implacáveis. Cada projeto, cada licitação, cada oportunidade era uma batalha a ser vencida. E César parecia se deleitar em cada confronto.

"Admito que gosto de te ver irritada," César confessou, aproximando-se um pouco mais. O perfume dele, uma mistura cara de sândalo e especiarias, invadiu o espaço pessoal de Vanessa, perturbando-a de uma forma que ela se recusava a admitir. "Você fica… mais interessante."

"Poupe-me dos seus galanteios baratos, Monteiro," Vanessa retrucou, tentando manter a voz firme. “Eu não sou uma de suas conquistas fáceis.”

"Nunca disse que seria fácil," ele respondeu, com um sorriso enigmático. "Mas as coisas mais difíceis são sempre as mais gratificantes."

O leilão beneficente começou, e Vanessa se viu disputando cada lote com César. Desde uma viagem exclusiva para Fernando de Noronha até uma obra de arte de um renomado artista brasileiro, eles se enfrentaram lance a lance, elevando os preços a patamares absurdos. A tensão entre eles era palpável, eletrizante, atraindo a atenção de todos no salão.

No fim da noite, restava apenas um item a ser leiloado: uma parceria com uma ONG local para construir um centro comunitário em uma das favelas mais carentes do Rio. Vanessa sabia que era uma causa importante, algo que realmente a movia. Ela estava determinada a vencer.

Mas César também parecia interessado. Os lances subiram rapidamente, impulsionados pela rivalidade implícita entre os dois. A cada lance, o coração de Vanessa acelerava, a adrenalina correndo em suas veias.

Quando o preço atingiu um valor exorbitante, Vanessa hesitou por um momento. Ela sabia que estava no limite do seu orçamento. Mas a ideia de perder para César era insuportável.

"Dois milhões de reais," ela anunciou, a voz firme, desafiando-o com o olhar.

César sorriu, um sorriso frio e calculista. "Dois milhões e quinhentos mil."

A multidão prendeu a respiração. Vanessa sentiu o sangue gelar nas veias. Ela não tinha mais para onde ir. Estava derrotada.

"Vendida!" o leiloeiro anunciou, batendo o martelo. "Para o Sr. César Monteiro!"

Vanessa sentiu uma onda de frustração e humilhação. Ela havia perdido. De novo. Para ele.

Enquanto César se aproximava para receber os aplausos, ele parou ao lado de Vanessa e sussurrou em seu ouvido, a voz baixa e insinuante: "Eu ganhei o leilão, Vanessa. Mas você sabe… talvez possamos encontrar outras formas de parceria… mais… interessantes." Ele piscou e se afastou, deixando-a paralisada, confusa e, para seu horror, ligeiramente intrigada. No caminho para casa, Vanessa recebeu uma ligação do escritório de advocacia de seu pai. A mensagem era clara e direta: ela e César deveriam se casar em seis meses para consolidar a fusão das empresas. O mundo de Vanessa girou. Ela se casar com César? Era o pior pesadelo dela se tornando realidade… ou o começo de algo completamente diferente?