Diamantes no Leilão
Chapter 1 — O Silêncio Estrondoso dos Diamantes
O bilhete amassado tremia em minhas mãos, a caligrafia elegante de Rafael dançando sob a luz fraca do abajur. “Encontre-me no terraço do Copacabana Palace. Meia-noite. Precisamos conversar.” Seis palavras que demoliram a frágil fortaleza que eu havia construído ao redor do meu coração nos últimos cinco anos.
Cinco anos desde que ele me deixou no altar, trocando o véu branco e os votos eternos por uma promissória promessa de riqueza e poder. Cinco anos desde que a dor me consumiu, me transformando em uma sombra da Lara sonhadora que um dia fui. Agora, ele reaparecia, como uma assombração do passado, exigindo uma conversa que eu não tinha certeza se conseguiria suportar.
Respirei fundo, tentando controlar o turbilhão de emoções que ameaçava me afogar. Raiva, mágoa, e, para minha vergonha, uma pontada de esperança persistente. Rafael. A simples pronúncia do seu nome era suficiente para despertar um vulcão adormecido dentro de mim.
O Copacabana Palace cintilava sob a luz da lua, um farol de luxo e decadência. Subi no elevador, o estômago embrulhado em nós. Cada andar que passava era um passo mais perto do confronto inevitável, um reencontro que poderia tanto me libertar quanto me destruir de vez.
No terraço, o vento sussurrava segredos entre as palmeiras. A vista panorâmica do Rio era estonteante, mas meus olhos estavam fixos na figura esguia encostada no parapeito. Rafael. Mais alto, mais magro, com o rosto marcado por uma dureza que não existia antes. Ele se virou lentamente, e nossos olhares se encontraram. Uma faísca, antiga e perigosa, acendeu-se no ar.
"Lara," ele disse, a voz rouca como veludo. "Obrigado por vir." Seus olhos percorreram meu corpo, demorando-se em cada curva, em cada cicatriz que o tempo e a dor haviam esculpido. "Você está… diferente."
"Diferente?" Repeti, a voz carregada de sarcasmo. "Talvez seja porque você me deixou plantada no altar, Rafael. As pessoas tendem a mudar depois de uma experiência dessas."
Ele ignorou minha alfinetada, aproximando-se com cautela, como se eu fosse um animal selvagem prestes a atacar. "Eu sei que te devo explicações, Lara. E estou aqui para dá-las."
"Explicações?" Dei uma risada amarga. "Cinco anos, Rafael! Cinco anos de silêncio! Que tipo de explicação pode justificar isso?"
Ele parou a poucos centímetros de mim, a intensidade do seu olhar me prendendo no lugar. "Meu pai… ele estava envolvido em algo muito perigoso. Eu precisei me afastar para te proteger."
"Me proteger?" As palavras soaram vazias, insignificantes. "Você me destruiu, Rafael. Me despedaçou em milhões de pedaços. Isso não é proteção."
Ele estendeu a mão, como se quisesse me tocar, mas hesitou. "Eu sei. E me arrependo de cada segundo. Mas agora, as coisas mudaram. O perigo passou. E eu voltei para te buscar."
"Me buscar?" Arqueei uma sobrancelha, incrédula. "Você realmente acha que pode simplesmente voltar depois de tudo que fez e…"
Antes que eu pudesse terminar a frase, um tiro ecoou na noite. Rafael cambaleou para trás, uma mancha vermelha crescendo em sua camisa branca. Ele me olhou, os olhos cheios de dor e uma súplica silenciosa. Então, caiu no chão, inerte. E no silêncio da noite, eu ouvi um sussurro gélido vindo das sombras: "Ele nunca deveria ter voltado."