O Segredo Bordado em Seda
Chapter 1 — O Segredo Bordado em Seda
As pétalas de jasmim caíam como lágrimas brancas sobre o vestido de noiva, um presságio silencioso da tempestade que se anunciava. Joana sentiu o nó na garganta apertar a cada passo em direção ao altar, a melodia suave do violino soando como uma marcha fúnebre em seus ouvidos.
Não era amor que a esperava no final do tapete persa, mas sim a fria e calculada necessidade. O acordo estava selado, assinado com a tinta da desesperança e a promessa de salvar o que restava de sua família. Um casamento por contrato, uma união de aparências que escondia um segredo capaz de destruir tudo.
O Rio de Janeiro, com sua beleza exuberante e contrastes gritantes, servia de palco para essa farsa. A mansão dos Oliveira, no alto de Santa Teresa, era um símbolo do poder e da riqueza que agora aprisionavam Joana. Dos jardins impecáveis, com vista para a Baía de Guanabara, ecoavam os risos falsos dos convidados, alheios à angústia que consumia a noiva.
Joana respirou fundo, tentando controlar a tremedeira que tomava conta de seu corpo. A imagem de sua avó, Dona Celeste, debilitada em um leito de hospital, era o combustível que a impedia de fugir. A dívida colossal, contraída para salvar a pequena empresa familiar, era o fantasma que a assombrava. Casar-se com Davi Oliveira era a única saída, o único caminho para a sobrevivência.
Davi Oliveira. A simples menção de seu nome fazia o estômago de Joana se contorcer. Um homem frio, calculista e implacável nos negócios. Dono de um império, herdeiro de uma fortuna construída sobre o sangue e o suor de muitos. Seus olhos escuros, penetrantes, pareciam enxergar através de sua alma, desnudando seus medos e fraquezas.
Ela o conhecera em um evento beneficente, semanas antes. Davi a abordou com uma proposta indecorosa, disfarçada de gentileza. Um contrato de casamento, com cláusulas detalhadas e prazos definidos. Em troca, ele pagaria todas as dívidas da família e garantiria o futuro de sua avó. Joana hesitou, lutou contra a ideia absurda, mas a realidade implacável a forçou a ceder.
O véu de renda, herança de sua mãe, pesava sobre seus ombros como uma âncora. Ao chegar ao altar, seus olhos encontraram os de Davi. Não havia calor, nem paixão, apenas um brilho gélido e calculista. Ele sorriu de forma breve, um sorriso que não alcançava seus olhos. Joana sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
O padre iniciou a cerimônia, proferindo as palavras tradicionais. Joana mal ouvia, presa em seus próprios pensamentos. A cada frase, a cada juramento, sentia-se mais distante de si mesma, mais aprisionada naquele destino cruel. As palavras de Davi, firmes e seguras, ecoaram na igreja.
Quando chegou a sua vez, Joana lutou para encontrar a voz. As palavras saíram hesitantes, quase inaudíveis. "Sim", murmurou, sentindo o peso daquele simples vocábulo esmagá-la. Davi segurou sua mão, seus dedos frios e firmes. Ele colocou a aliança em seu dedo, um anel de diamantes que brilhava intensamente, aprisionando-a em seu brilho.
Após a cerimônia, a recepção foi um turbilhão de cumprimentos e sorrisos falsos. Joana se sentia como uma marionete, controlada pelos fios invisíveis do contrato. Davi a conduzia com firmeza, apresentando-a aos seus amigos e familiares. Ela tentava sorrir, manter a compostura, mas a angústia a consumia por dentro.
Naquela noite, enquanto se preparava para a noite de núpcias, Joana encontrou um pequeno envelope de seda bordada sobre a penteadeira. Ao abri-lo, deparou-se com uma única frase, escrita em uma caligrafia elegante: "O jogo apenas começou, minha querida esposa."
Um arrepio percorreu o corpo de Joana. Quem teria deixado aquela mensagem? E qual seria o verdadeiro significado daquelas palavras enigmáticas? A noite prometia ser longa e repleta de segredos obscuros.