Contrato na Capela
Chapter 1 — O Perfume Amargo das Orquídeas
O buquê de orquídeas brancas tremia em minhas mãos, cada pétala um espelho do pânico que crescia dentro de mim. Não era para ser assim. Eu, Olívia Souza, uma estudante de direito com sonhos de justiça e igualdade, estava prestes a me casar com um estranho para salvar a empresa da minha família.
A igreja estava lotada. Convidados elegantes, sussurros abafados, o brilho frio dos lustres de cristal – tudo me dava náuseas. Meu pai, Antônio Souza, caminhava ao meu lado, o rosto marcado por uma mistura de culpa e determinação. Ele sabia que estava me sacrificando, mas a Souza Construtora estava à beira da falência, e este casamento era a única saída.
Tiago Santos. O nome ecoava em minha mente como uma sentença. Herdeiro de um império financeiro, frio, calculista e, pelo que diziam, implacável. Nunca o havia encontrado pessoalmente, apenas o vislumbrado em fotos: um homem alto, de olhos escuros e um ar de superioridade que me irritava profundamente.
O tapete vermelho parecia interminável. A cada passo, sentia o peso do meu futuro incerto. Minha mãe, falecida há cinco anos, sempre sonhou com um casamento por amor para mim. Um nó se formou em minha garganta ao pensar na decepção que ela sentiria.
Chegamos ao altar. O padre sorriu, complacente. Levantei o olhar e, finalmente, o vi. Tiago estava lá, impecável em seu terno escuro. Mas não era sua aparência que me chamou a atenção. Eram seus olhos. Profundos, intensos, e... tristes? Por um breve instante, vislumbrei uma sombra de dor em seu olhar, algo que ia além da frieza que eu esperava encontrar. Será que ele também era uma vítima desse acordo?
Antes que eu pudesse processar essa revelação, o padre começou a cerimônia. As palavras ressoavam vazias, sem sentido. Quando chegou a hora dos votos, minha voz vacilou. Olhei para Tiago, buscando algum sinal, alguma pista. Ele me encarava com uma intensidade que me desestabilizou.
"Eu, Tiago Santos, recebo você, Olívia Souza..." Sua voz era grave, firme, mas algo nela parecia forçado. Ele fez uma pausa, seus olhos fixos nos meus, e completou: "... como minha legítima esposa, para amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias de minha vida." Ele apertou minha mão com mais força do que o necessário, quase como um aviso.
Quando chegou minha vez, a voz simplesmente sumiu. Olhei para meu pai, implorando silenciosamente por uma saída. Mas ele apenas desviou o olhar, derrotado. Respirei fundo, reuni toda a coragem que me restava e, com a voz embargada, murmurei: "Eu aceito."
No momento em que as alianças foram trocadas, a porta da igreja se abriu com um estrondo. Todos se viraram, surpresos. Uma mulher alta, ruiva, vestida de preto, avançou pelo corredor, o rosto consumido pela raiva. "Tiago!", ela gritou, "Você não pode fazer isso! Você é meu!"