Noiva por Contrato, Amante por Destino

Chapter 1 — O Perfume Amargo do Jasmim

O buquê de jasmim tremia em minhas mãos, as pequenas flores brancas exalando um perfume que, naquele momento, parecia incrivelmente amargo. Não era assim que eu imaginava o dia do meu casamento. Deveria estar radiante, caminhando em direção ao altar ao som de Ave Maria, e não tremendo, prestes a me casar com um homem que mal conhecia por um contrato assinado às pressas.

Respirei fundo, tentando controlar o turbilhão de emoções que me invadia. Olhei para o meu reflexo no espelho da sacristia da igreja. O vestido branco, um modelo simples, mas elegante, parecia deslocado em meu corpo. Eu, Priscila Pereira, 24 anos, estava prestes a cometer a maior loucura da minha vida, tudo para salvar a vinícola da minha família, a 'Pereira Vinhos Finos', da falência iminente.

Meu pai, um homem de negócios brilhante, mas péssimo administrador, havia colocado a vinícola em uma situação financeira desesperadora. Bancos e investidores haviam fechado as portas, e a única solução que ele encontrou foi me oferecer em casamento para o implacável e misterioso empresário, Alexandre Ferrari. Alexandre, herdeiro de um império financeiro, havia concordado em investir na vinícola em troca da minha mão. Um acordo frio e calculista, digno de um romance barato, mas que, infelizmente, era a minha realidade.

A porta da sacristia se abriu, revelando minha tia Marta, uma mulher de olhar doce e sempre preocupada. “Priscila, querida, está quase na hora. Você está pronta?” Sua voz carregava uma mistura de preocupação e resignação. Ela sabia o quanto eu detestava essa situação. Tia Marta sempre foi como uma segunda mãe para mim, a única que realmente me entendia e apoiava em minhas decisões.

“Estou pronta, Tia,” respondi, tentando soar confiante, mas minha voz vacilou. Peguei em seu braço, sentindo o calor reconfortante de sua pele. Caminhamos em silêncio até a entrada da igreja. A música suave do órgão preenchia o ar, abafando o som dos meus próprios batimentos cardíacos. Avistei meu pai no altar, com um sorriso forçado no rosto. Ele parecia aliviado, como se tivesse se livrado de um fardo pesado. Um nó se formou em minha garganta.

As portas da igreja se abriram, e a luz do sol invadiu o ambiente. A igreja estava lotada de convidados, a maioria pessoas que eu nunca tinha visto antes. E lá estava ele, no altar, esperando por mim. Alexandre Ferrari. Alto, moreno, com um terno impecável e um olhar penetrante que parecia me analisar por completo. Ele era incrivelmente bonito, quase intimidador. Nossos olhares se encontraram, e senti um arrepio percorrer meu corpo. Não era um arrepio de paixão, mas de apreensão, de medo do desconhecido.

Comecei a caminhar lentamente em direção ao altar, sentindo cada passo como se estivesse caminhando para a minha própria sentença. A cada passo, o perfume do jasmim se tornava mais forte, mais amargo. A música do órgão parecia zombar de mim, e os rostos dos convidados se tornavam borrões indistintos. A única coisa que eu conseguia ver era o rosto de Alexandre Ferrari, impassível, esperando por mim no final do corredor.

Cheguei ao altar, e meu pai me entregou a Alexandre. Nossas mãos se tocaram, e senti um choque elétrico percorrer meu corpo. Alexandre apertou minha mão com firmeza, e sussurrou em meu ouvido: “Bem-vinda à minha vida, Priscila.” Sua voz era grave e rouca, e me causou um calafrio na espinha. O casamento prosseguiu como um borrão. Troca de votos, alianças, a benção do padre. Tudo parecia irreal, como se eu estivesse assistindo a um filme. Quando o padre anunciou: “Pode beijar a noiva,” meu coração disparou.

Alexandre se virou para mim, e seus olhos negros me encararam intensamente. Ele levantou minha mão e beijou meus dedos, um gesto frio e formal. “Não vamos forçar a barra, Priscila. Este é apenas um contrato,” ele sussurrou, para que apenas eu pudesse ouvir. A cerimônia terminou, e fomos recebidos com aplausos e felicitações. Posei para as fotos, sorrindo mecanicamente. Por dentro, eu estava em pedaços.

Na festa, Alexandre se manteve distante, conversando com outros investidores e amigos. Eu me senti como um troféu, exibida para todos verem. Tentei socializar, mas a maioria das pessoas me olhava com curiosidade, como se eu fosse um espécime raro. A noite parecia não ter fim. Quando finalmente chegou a hora de irmos embora, senti um alívio imenso. Entrei no carro com Alexandre, e seguimos em silêncio para a nossa nova casa. Uma mansão luxuosa em um bairro nobre de São Paulo.

Ao chegarmos, Alexandre me mostrou a casa, fria e impessoal. Meu quarto ficava em um andar diferente do dele. “Este é o seu quarto. Fique à vontade,” ele disse, com um tom de voz indiferente. “Amanhã, conversaremos sobre os termos do nosso contrato.” Ele se virou para ir embora, mas antes que pudesse sair do quarto, eu o chamei.

“Alexandre,” eu disse, hesitante. Ele parou e se virou para mim, com uma expressão interrogativa no rosto. “Por que você fez isso? Por que se casou comigo?” Ele me encarou por alguns segundos, e então um sorriso frio se formou em seus lábios. “Porque você, Priscila, é a chave para algo muito maior do que a sua vinícola,” ele respondeu. E antes que eu pudesse perguntar o que ele queria dizer com isso, ele saiu do quarto, me deixando sozinha, com um medo paralisante me consumindo. Sozinha e casada com um homem que escondia segredos sombrios e que, aparentemente, me usava como uma peça em um jogo perigoso. A porta se fechou atrás dele, selando meu destino. Mas que segredos eram esses?