Noite Sob o Cristo Redentor
Chapter 1 — O Segredo Esmeralda Sob o Cristo Redentor
O resultado positivo brilhava, cruel e definitivo, na tela do teste. Débora encarou a pequena janela de plástico como se ela fosse a própria Medusa, capaz de transformá-la em pedra. Grávida. Ela, Débora Sampaio, aos vinte e dois anos, grávida de um homem que mal conhecia e que provavelmente nem se lembraria dela.
O Rio de Janeiro fervilhava lá fora, mas no minúsculo banheiro do seu apartamento em Copacabana, o tempo parecia ter parado. O som das ondas quebrando na praia era abafado pelo zumbido ensurdecedor do pânico que crescia dentro dela. Como isso tinha acontecido? Uma noite. Apenas uma noite de imprudência, embalada pela caipirinha e pela música alta de um bar em Ipanema, agora se materializava em um futuro incerto e aterrorizante.
A imagem dele surgiu em sua mente: olhos verdes penetrantes, um sorriso que prometia o paraíso e a perdição, e um corpo esculpido pelo sol e pelo mar. Matheus. Matheus Martins. Herdeiro de um império, um dos homens mais ricos e cobiçados do Brasil. Um mundo distante do dela, um mundo onde ela nunca pertenceria.
Débora trabalhava como garçonete em um café perto da praia. Mal conseguia pagar o aluguel e as contas. Como sustentaria um filho? Como contaria para sua mãe, que sempre depositara tantas esperanças nela? A vergonha a consumia. A ideia de procurar Matheus era ainda mais assustadora. O que ele diria? O que ele faria? Jogaria dinheiro nela para que sumisse? Negaria a paternidade? A simples possibilidade a fazia tremer.
Ela se apoiou na pia, sentindo o metal frio contra suas mãos suadas. Precisava pensar. Precisava de um plano. Mas sua mente estava um turbilhão de medos e incertezas.
Horas depois, o sol já se punha, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados. Débora, sentada na varanda, observava o Cristo Redentor iluminado no alto do Corcovado. A imagem imponente da estátua parecia julgá-la, lembrando-a de seus valores e de sua fé. Ela sempre fora uma pessoa honesta, trabalhadora e responsável. Como havia se deixado levar por aquela noite de loucura?
Decidiu que precisava conversar com alguém. Sua melhor amiga, Mariana, era a única pessoa em quem confiava completamente. Pegou o celular e discou o número, mas antes que pudesse completar a ligação, uma mensagem surgiu na tela. Um número desconhecido. O coração de Débora disparou.
A mensagem dizia: “Eu sei o que você fez. E sei quem é o pai.”
As mãos de Débora tremiam tanto que ela mal conseguia segurar o celular. Quem sabia? Como sabiam? O pânico a paralisou. Ela tentou responder à mensagem, mas as palavras sumiam em sua garganta. Quem estava a observando? O que queriam dela? E, acima de tudo, o que fariam com seu bebê?