Traição Antes do Véu

Chapter 1 — O Silêncio Entre Nossos Corações Quebrados

O champanhe borbulhava, mas o som parecia abafado, quase inexistente, como se o mundo estivesse em silêncio, esperando o desastre. Eu podia sentir o olhar de todos sobre mim, julgando, sentindo pena, talvez até um pouco de satisfação. Afinal, quem não gosta de ver a rainha cair do trono?

Naquela noite, no auge da minha vida, a verdade explodiu como uma bomba: meu noivo, o homem que eu amava, estava me traindo. E não com qualquer uma. Com a minha melhor amiga, a irmã que eu nunca tive.

Betina Barros, 25 anos, herdeira de um império têxtil, prestes a se casar com o renomado empresário Diego Bittencourt. Essa era a manchete que estampava as revistas de negócios e sociais. A realidade, no entanto, era bem mais sombria. Eu era apenas uma peça em um jogo de poder, uma marionete dançando conforme a música tocada por outros.

O Rio de Janeiro fervilhava com a antecipação do casamento do ano. A cerimônia, marcada para o Copacabana Palace, prometia ser um espetáculo de luxo e glamour. Flores importadas, alta costura, convidados influentes… tudo meticulosamente planejado para consolidar a união entre duas famílias poderosas. Mal sabiam eles que o espetáculo estava prestes a se transformar em um circo de horrores.

Eu conheci Diego em um evento beneficente há dois anos. Ele era charmoso, inteligente e incrivelmente atraente. Nossos encontros se tornaram frequentes, e logo estávamos apaixonados. Pelo menos, era o que eu acreditava. Ele me propôs em casamento durante um jantar romântico em Paris, com a Torre Eiffel iluminada ao fundo. Um conto de fadas moderno. Ingênua, eu aceitei sem hesitar.

Simone, minha melhor amiga desde a infância, era minha confidente, meu porto seguro. Compartilhávamos segredos, sonhos e medos. Ela era a madrinha do meu casamento, a pessoa que eu mais confiava no mundo. Descobrir a traição deles foi como levar uma facada no coração, uma traição dupla que me deixou em pedaços.

Naquela noite fatídica, antes da festa de noivado, recebi uma mensagem anônima com um vídeo. As imagens eram claras, inegáveis. Diego e Simone, juntos, em um momento íntimo, no meu apartamento, na minha cama. O mundo desabou sobre mim. A raiva, a dor, a humilhação… tudo se misturou em um turbilhão de emoções.

Eu poderia ter fugido, cancelado o casamento, me escondido da vergonha. Mas algo dentro de mim se recusou a ceder. A humilhação pública era inaceitável. A dor, insuportável. A traição, imperdoável. Decidi, então, que a vingança seria o meu prato principal, servido frio e com requintes de crueldade.

Respirei fundo, prendendo as lágrimas que insistiam em cair. Ajustei o vestido de noiva, um Valentino deslumbrante, e forcei um sorriso. A noite estava apenas começando.

Enquanto caminhava em direção ao salão de festas, senti o peso dos olhares sobre mim. Vi Diego me esperando no altar, com um sorriso no rosto. Simone estava ao lado dele, com um olhar de cumplicidade. Fingi não ver nada, não sentir nada. Era hora de colocar o plano em ação.

O cerimonial começou. As palavras do padre soavam como um zumbido distante. Chegou o momento da troca de votos. Diego pegou minha mão, seus olhos fixos nos meus. Senti um arrepio percorrer meu corpo. Ele estava tão perto, tão falso.

"Betina, você aceita Diego como seu legítimo esposo?", perguntou o padre.

Fiz uma pausa dramática. Olhei para Diego, para Simone, para todos os convidados. Um silêncio sepulcral tomou conta do salão. E então, com a voz carregada de veneno, respondi:

"Aceito… desde que todos saibam a verdade."

Puxei o celular do meu vestido, conectei ao telão gigante e apertei o play. O vídeo de Diego e Simone se amando, no meu apartamento, foi exibido para todos os presentes. O choque, a incredulidade, a fúria… estavam estampados em cada rosto.

Diego tentou se aproximar, mas o empurrei com força. Simone desmaiou. O caos se instalou. Mas eu, Betina Barros, estava apenas começando. A vingança seria minha obra-prima. E o primeiro ato já havia sido concluído com sucesso. Agora, era hora de assistir ao desmoronamento do império deles.

Saí do salão de festas em meio ao tumulto, com a cabeça erguida e um sorriso triunfante nos lábios. A noite estava apenas começando. E eu tinha muitos planos para o futuro. Planos que envolviam dor, sofrimento e, acima de tudo, vingança.

Cheguei em casa, tomei um banho demorado e vesti algo confortável. Abri uma garrafa de vinho e sentei na varanda, admirando a vista do Rio de Janeiro. A cidade estava linda, iluminada, alheia à tempestade que se abatia sobre a vida de Diego e Simone. Peguei meu notebook e abri um arquivo chamado “Projeto Vingança”. A partir daquele momento, Betina Barros não existia mais. Apenas a vingadora. Digitei a primeira linha:

*Próximo passo: destruir a reputação de Diego Bittencourt.*

Um sorriso frio se formou em meus lábios. A guerra estava declarada. E eu não pretendia perder.

Na manhã seguinte, enquanto saboreava um café da manhã reforçado, meu celular tocou. Era um número desconhecido. Hesitei antes de atender. Talvez fosse Diego, implorando por perdão. Ou Simone, tentando se justificar. Respirei fundo e atendi.

"Alô?", perguntei, com a voz firme.

Uma voz rouca respondeu do outro lado da linha:

"Betina Barros? Precisamos conversar. Sei de coisas sobre Diego que você nem imagina. E acho que podemos nos ajudar."

O mistério na voz do outro lado me deixou intrigada. Quem seria essa pessoa? E o que ela sabia sobre Diego? Uma nova peça havia entrado no jogo. E eu estava disposta a descobrir quem era e qual era o seu papel. A vingança, afinal, é um jogo complexo, com muitas reviravoltas. E eu estava pronta para jogar até o fim.