O Silêncio de Jade

Chapter 1 — O Silêncio de Jade

O champanhe borbulhava, quase transbordando da taça de cristal Baccarat, enquanto eu observava Eduardo, meu noivo, rir despreocupadamente com seus amigos. Aquela risada, que antes me encantava, soava agora como o prenúncio da minha desgraça. Hoje, no dia do nosso noivado, descobri que o homem que eu amava era o mesmo que destruiu minha família.

Meu nome é Mariana Bittencourt. Cresci em meio ao luxo e à aparente perfeição da alta sociedade paulistana. Meu pai, um renomado advogado, e minha mãe, uma elegante socialite, sempre me proporcionaram o melhor. Até que um dia, tudo desmoronou. Um escândalo financeiro envolvendo a empresa do meu pai o levou à ruína e, pouco tempo depois, ambos morreram em um trágico acidente de carro. Aos 18 anos, me vi órfã, pobre e completamente sozinha.

Lutei para reconstruir minha vida. Trabalhei duro, estudei e, com o tempo, consegui me reerguer. Conheci Eduardo na faculdade. Ele era charmoso, inteligente e incrivelmente atencioso. Nos apaixonamos perdidamente e, em pouco tempo, estávamos noivos. Eu acreditava ter encontrado a felicidade novamente.

No entanto, uma semana antes do nosso noivado, recebi uma carta anônima. Nela, havia documentos que comprovavam que a empresa de Eduardo, na verdade, pertencia à família Oliveira, meus inimigos. Os Oliveira eram os principais responsáveis pela ruína do meu pai. Eduardo, portanto, era um Oliveira. E ele sabia de tudo.

A verdade me atingiu como um soco no estômago. Aquele amor que eu julgava ser puro e verdadeiro era, na verdade, uma farsa elaborada para me manipular e me destruir. Eduardo havia se aproximado de mim com um único objetivo: vingar a suposta injustiça que meu pai havia cometido contra sua família.

Naquela festa de noivado, enquanto o observava brindar à nossa felicidade, eu sentia o ódio borbulhar em minhas veias. A dor da traição era insuportável, mas a sede de vingança era ainda maior. Eu não permitiria que ele me destruísse. Eu o faria pagar por cada lágrima que derramei, por cada noite em claro, por cada sonho desfeito.

Decidi que jogaria o jogo dele. Fingiria ser a noiva apaixonada, a mulher submissa e ingênua. Deixaria que ele se sentisse vitorioso, para, no momento certo, desferir o golpe fatal. A partir daquele instante, Mariana Bittencourt morreria e daria lugar a uma nova mulher: uma mulher fria, calculista e implacável, disposta a tudo para se vingar.

Peguei a taça de champanhe e me aproximei de Eduardo. Ele me abraçou e sussurrou em meu ouvido: "Você está linda, meu amor." Sorri, um sorriso falso que escondia a tempestade que se formava dentro de mim. "Você também, meu noivo", respondi, com a voz carregada de veneno.

Levantei a taça e brindei com ele. "À nossa felicidade", disse, com um brilho estranho nos olhos. Ele sorriu, sem desconfiar de nada. Mal sabia ele que, naquele brinde, eu estava selando o destino de ambos.

Naquela noite, antes de dormir, Eduardo deixou o celular desbloqueado sobre a mesa. Uma mensagem brilhava na tela, de um número desconhecido. Hesitei por um momento, mas a curiosidade e a desconfiança foram mais fortes. Peguei o aparelho e abri a mensagem. O conteúdo me fez perder o chão: 'Ainda está de pé o plano para tirá-la da empresa dela? Precisamos da assinatura dela o mais rápido possível'. A foto anexada era de mim, entrando na minha empresa naquela manhã. Quem mandou a mensagem? E o que eles querem da minha empresa?